TEATRO CIENTÍFICO: DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA ATRAVÉS DO TEATRO
Márcio dos Santos Soares ¹, Marcos Antônio dos Santos ², Fernanda Silva Rocha³, Marcos Vinicius Maia Lopes de Assis4. Marcos Antônio Pinto Ribeiro5, Carlos Wagner Costa Araujo6
¹ Espaço de Ciência e Cultura UNIVASF – Bolsista CNPq – Graduando em Geografia/ UPE - Universidade de Pernambuco Campus Petrolina.Espaço de Ciência e Cultura – Av. Cardoso de Sá, 740, Centro, Petrolina – PE – CEP 56.308 - 155
² Espaço de Ciência e Cultura UNIVASF – Bolsista CNPq – Graduando em Artes Visuais/UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco Campus Juazeiro.Espaço de Ciência e Cultura – Av. Cardoso de Sá, 740, Centro, Petrolina – PE – CEP 56.308 - 155
³ Espaço de Ciência e Cultura UNIVASF – Graduando em Administração/UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco Campus Petrolina.Espaço de Ciência e Cultura – Av. Cardoso de Sá, 740, Centro, Petrolina – PE – CEP 56.308 – 155
4 Espaço de Ciência e Cultura UNIVASF – Bolsista CNPq – Bacharelando em Zootecnia/UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco Campus Petrolina.Espaço de Ciência e Cultura – Av. Cardoso de Sá, 740, Centro, Petrolina – PE – CEP 56.308 – 155
5 Espaço de Ciência e Cultura UNIVASF – Co-orientador. Espaço de Ciência e Cultura – Av. Cardoso de Sá, 740, Centro, Petrolina – PE – CEP 56.308 – 155
6 Espaço de Ciência e Cultura UNIVASF – Orientador. Espaço de Ciência e Cultura – Av. Cardoso de Sá, 740, Centro, Petrolina – PE – CEP 56.308 – 155
INTRODUÇÃO
O Vale do São Francisco é a região que margeia o rio São Francisco nos estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, maior que França e Portugal juntos e do tamanho da bacia do Colorado. O São Francisco possui um volume d’água superior ao do rio Nilo, se destaca pela sua produção de frutas e hortaliças. Na região do vale do Sub-Médio São Francisco que tem mais de 500 mil habitantes encontra-se o Espaço de ciência e Cultura da UNIVASF - UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO que vem se destacando na região por seu trabalho na área de popularização da ciência.
Inserido a essa realidade, está o Grupo Ciência Cênica, que foi criado em junho de 2007 em decorrência da realização de oficinas de teatro e de Iniciação Científica no ECC da UNIVASF. O objetivo era formar um Grupo de Teatro Científico para popularização da ciência. O processo de formação se deu através de oficinas divididas em três etapas: Oficina de Jogos Teatrais, Oficina de Investigação Cênica com foco nas teorias do teatro e Oficina de Iniciação Científica.
A professora Telma Lopes afirma que: “Ao longo da história das artes, podemos verificar diferentes interações entre arte e ciência”. E o diretor Carlos Palma defende que: “A ciência faz parte da cultura do homem; está junto a tudo que se faz na arte”. Partindo dessas afirmações o grupo traz a linguagem da arte relacionando aos temas científicos, promovendo no espectador o interesse pelo conhecimento científico e sua difusão.
O Grupo é formado por estudantes universitários da UNIVASF, UPE, FTC, alunos do ensino fundamental e médio de escolas das redes público e privada além de artistas da Região. A divulgação científica através do teatro tem por objetivo popularizar, desmistificar e buscar uma estreita relação entre a arte e a ciência. Ao longo de sua criação, o Ciência Cênica através das suas apresentações tem se consolidado como um dos grupos de maior referência de teatro científico do nordeste, tendo participado de eventos de divulgação científica a nível nacional além de eventos de teatro popular a âmbito internacional. Percorrendo escolas públicas e particulares o grupo apresenta conceitos científicos de forma simples, agradáveis e lúdicos, instigando debates dentro e fora da sala de aula.
DESENVOLVIMENTO
Brecht afirma que: “O teatro permanece teatro, mesmo quando é teatro pedagógico e, na medida em que é bom teatro, é diversão”. Ele tem a capacidade de trabalhar a linguagem, a expressão, a socialização, a emoção e o raciocínio, agindo como agente transformador da sociedade.
De acordo com a perspectiva educacional o teatro se encaixa como uma ferramenta de auxilio à aprendizagem, baseado-se na afirmação “escola não é o único lócus educativo”, ou seja, as experiências vividas fora do prédio escolar também compõem a construção do conhecimento. Nesse contexto a linguagem dramática se insere como agente catalisador do processo ensino-apredizagem tornando-o mais eficaz.
Peter Brook vê o teatro como meio para atingir o que nenhum outro meio é capaz: “Aqui está a responsabilidade do teatro: o que um livro não pode transmitir. O que nenhum filosofo pode verdadeiramente explicar, pode ser alcançado através do teatro. Traduzir o intraduzível é um de seus papéis”.
Montenegro diz que: “O teatro, por sua forma de “fazer coletivo”, possibilita o desenvolvimento pessoal não apenas no campo da educação não formal, mas permite ampliar, entre outras coisas, o senso crítico e o exercício da cidadania. Desmitificando pré-conceitos, grifo nosso, dos conteúdos científicos adquiridos pelos alunos no decorrer de suas vidas escolares.”
Deste modo, o teatro científico promove simultaneamente a popularização da cultura científica e da arte, utilizando-se de espetáculos que abordam temas discutidos pela ciência bem como, a vida das personalidades que a constroem; homens e mulheres a quem o teatro busca em primeira instância apresentar a importância no cenário científico, e numa perspectiva mais ampla, humanizar, tirando-o dos laboratórios e salas de aula e trazendo para o dia-a-dia onde o expectador com a curiosidade desperta sentir-se-á instigado a pesquisar mais à fundo, e quiçá futuramente também tornar-se um cientista.
Utilizando também a vertente construtivista proposta pelos PCN’s, o Teatro e seu âmbito critico, reflexivo, informativo e investigativo proporciona a todos os sujeitos envolvidos desde a produção até a platéia o objetivo final da educação, a construção do saber. O Teatro Cientifico nesse contexto é bem mais importante, colocando-se não apenas como mais uma vertente de construção de espetáculos, mas como uma ferramenta poderosa de divulgação científica e popularização da ciência, integrando três áreas da formação do conhecimento que até então trabalham distintamente: ciência, educação e arte.
MÉTODOLOGIA
As apresentações ocorrem em espaços alternativos como: quadras, pátio das escolas e palcos improvisados ou até mesmo em salas de teatro popular como: Centros de Cultura, SESC, Teatros Universitários, Teatros particulares e públicos. Antes do espetáculo iniciar a platéia recebe um questionário, com perguntas associada ao espetáculo. Após as apresentações ocorre à entrega dos questionários, e um debate sobre o assunto abordado no espetáculo, com participação dos atores, assessores, professores, alunos e comunidade.
O Grupo também oferece oficinas de Iniciação Teatral, Jogos Teatrais, Expressão Corporal e Musicalização, todas com foco no teatro científico, para alunos, professores e comunidade.
CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES
Eventos Científicos:
Dia 27 e 30 de novembro de 2007
· Participou da Reunião Regional da SBPC no Vale do São Francisco, nas cidades de Petrolina/PE e Juazeiro/BA.
Dia 15 a 24 de abril de 2008
· Participação da Conferência Nacional da Educação Básica, em Brasília/DF
· Participação da Feira Nacional da Ciência da Educação Básica, em Brasília/DF
Dia 13 a 18 de julho de 2008
· Participação da 60º SBPC-Reunião Brasileira para o Progresso da Ciência, em Campinas/SP;
Dia 1° a 7 de outubro de 2008
· Participação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Em Salvador/BA
Dia 6 a 18 de novembro de 2008
· 2ª edição da FEJEM-Feira do Jovem Empreendedor do Vale do São Francisco. Em Juazeiro/BA
De 5 de agosto a 4 de Outubro de 2009
· Eventos de comemoração do segundo centenário do nascimento de Charles Darwin (1809-1882) e o sesquicentenário de publicação do livro “The origin of species (A Origem das Espécies, 1859). Apresentações no Teatro Carlos Gomes e no Teatro Universitário da UFES. Em Vitória/ES
Projeto Escola:
· Foram realizadas no mês de janeiro de 2008, apresentações e oficinas no ECC-UNIVAS, para professores e comunidade.
· Foi realizado no mês de marco de 2008, no Cento de Cultura João Gilberto, Juazeiro/BA, para as escolas particulares e públicas da rede municipal e estadual.
· Foi realizado no mês de maio de 2008, no Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães, Juazeiro/BA.
· Foi realizado no mês de fevereiro de 2009, no SESC, Petrolina/PE, para a comunidade.
Cidades do Interior.
· Apresentação e oficina de iniciação teatral, na Escola São Joaquim, novembro de 2007, em Sobradinho/BA
· Apresentação e oficina de iniciação teatral, Campus da UNIVASF, fevereiro de 2008, Juazeiro/BA
· Apresentação e oficina de iniciação teatral, Ginásio de Esportes, junho de 2008, Lagoa Grande/PE
· Apresentação e oficina de iniciação teatral, Colégio Estadual Senhor do Bonfim, setembro de 2008, em uauá/BA
· Apresentação e oficina de iniciação teatral, MST- Movimento dos Sem Terra ,fevereiro de 2009,em Sobradinho/BA
· Apresentação e oficina de iniciação teatral, Colégio Municipal Professora Alice Lopes Maia, abril de 2009, em Filadélfia/BA
· Apresentação e oficina de iniciação teatral e expressão corporal, Colégio Luiz Eduardo Magalhães, setembro de 2009, em Senhor do Bonfim/BA
Eventos:
· Festival Estudantil de Teatro, novembro de 2008, no SESC, em Petrolina/PE
· 18ª edição do Festival de Curitiba que correu entre os dias 16 e 28 de março,em Curitiba/PA
Oficinas:
· Oficinas de iniciação teatral, jogos teatrais e iniciação cientifica, foram realizadas de maio a novembro de 2007 no ECC-UNIVASF, Petrolina/PE
· Oficinas de iniciação teatral, jogos teatrais, iniciação cientifica, expressão corporal, musicalização e técnica vocal, foram realizadas de outubro de 2008 a fevereiro de 2009, no ECC-UNIVASF, Petrolina/PE
CONCLUSÃO
As atividades desenvolvidas pelo grupo proporcionam a discussão, pesquisa e reflexão acerca de assuntos ainda vistos com certa distância, além de encaminhar o público e aqueles que desenvolvem a atividade à plena revisão de conceitos, quebra de paradigmas, pesquisa e leitura constantes proporcionando-lhes a verdadeira construção do conhecimento.
Estima-se que no momento o projeto tenha atingido 10.000 pessoas, dentre elas alunos, professores e sociedade em geral.
PALAVRAS-CHAVE:
Arte e Ciência, Teatro Científico, Ciência Cênica
AGRADECIMENTOS:
Os autores agradecem a UNIVASF e ao CNPq pelas bolsas de iniciação cientifica.
REFERÊNCIAS:
BOAL, Augusto. Jogos para Atores e não- Atores. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2000
BRECHT, Bertolt. Teatro Dialético. In: MACIEL, L. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967 p 99.
BRECHT, Bertolt. Pequeno organon para o Teatro. In: BRECHT, B. Estudo sobre o Teatro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978
BRILHANTE, André. O Conhecimento em Jogos no Teatro para Crianças, Rio de Janeiro, 2004
CABRAL, Beatriz. Drama como Método de Ensino, São Paulo, 2006
CADENGUE, Antonio. Anatol Rosenfeld, Sob o Signo de Brecht, 2006
CARVALHO, Tatiana. Educação Científica, 2008
DE LA ROCQUE , Lucia. Vanguarda em Pesquisa e Ensino em Ciência e Arte: Uma Experiência do Instituto Oswaldo cruz, x reunión de La Red popularización de La ciência y La Tecnologia em América Latina y El Caribe (RED-POP-UNESCO) y IV taller “Ciência, Comunicación y Sociedad” San José, Costa Rica, 2007
LOPES, Thelma. Luz, arte, Ciência... Ação!In; ARAÙJO-JORGE, T.(Org.). Ciência e Arte: Encontros e Sintonias. Rio de Janeiro, Editora SENAC, 2004.p.228-249.
MONTENEGRO, Betânia. O Papel do Teatro na Divulgação Científica: A Experiência da Seara da Ciência, Sociedade para o Progresso da Ciência, Ciência e Cultura. vol.57 no. 4, São Paulo, 2005
REVERBEL, Olga. Jogos Teatrais na Escola: Atividades Globais de Expressão. São Paulo. Editora Scipione, Edição 3. 1996
SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula. São Paulo, Editora Perspectiva, 2007